Quem?
Toda a cidade se perguntava.
Uma estrela guia.
Mas ninguém queria saber.
Quem estava interessado em um novo nascimento?
Um simples nascimento!
Tão simples que nem hospedagem havia.
Quem está vindo morar entre nós?
Seria o filho de um rei?
Ou um herdeiro do homem mais rico do mundo?
Quem está vindo morar aqui neste chão duro?
Quem teria coragem de habitar esse lugar?
Nem mesmo uma casa de chão batido para o novo morador.
Sábios vindo de tão longe caminhavam seguindo a estrela.
A pequena cidade não mostrava nenhum sinal.
Uma realeza teria provocado enorme aglomeração.
Mas não era um rei que estava vindo morar ali.
E viria a ser rei um dia!
Animais aquecendo-se do frio intenso num estábulo.
A cidade não comportava mais um morador.
Não cabia o novo habitante naquele lugar.
Restava o estábulo.
Restavam os animais como companhias.
O choro se misturava ao ruminar das vacas,
E nem cama ali havia.
Mas ele estava ali de modo sorrateiro,
Sem ser conhecido,
Sem mandar notícias,
Apenas vindo morar entre nós.
Seus pais, pobres pais!
O que tinham para ofertar de aconchego?
Apenas uma manjedoura!
Lugar onde se alimentam os animais.
Ali fez-se comida desde o nascimento,
Pão da Vida!
Nem berço de ouro, nem cama.
Apenas um cocho.
Era o que restava.
Seu berço improvisado, uma manjedoura,
E servir de alimento!
Mas ele veio morar entre nós.
De onde vieste?
Saiba Deus!
Alguns homens tentavam adivinhar.
Inútil. Ninguém acredita em adivinhações.
Mas eram profecias! - Menos ainda.
Ele veio morar em nós na incredulidade do mundo.
Ele veio morar entre nós, na miséria do mundo.
Ele veio morar entre nós, onde não havia lugar.
Ele veio morar entre nós!
O seu nascimento foi a insistência absoluta de Deus,
De achar uma fresta para incutir esperança na terra,
Uma fresta para deixar passar um raio de luz,
Uma fresta para a semente colocar raiz,
Para o amor colocar-se entre nós.
O amor veio morar entre nós
E se fez carne.
Loucura de uma fé!