De tantos lugares ecoa um grito:
Socorro!
Pelo Rio Doce vem descendo a morte.
Estava presa,
Em cada represa, medo.
Um estrondo, a explosão da dor,
Destruição sem piedade.
A morte chega ao mar,
O gigante da vida reage,
Na foz tudo se destrói,
Na praia sepulturas a céu aberto.
Como reagir? Abutres do dinheiro!
Onde encontrar o pescado puro?
Uma grande cruz na praça,
O povo carregando para a foz.
É preciso fincar a marca da dor,
Ali jaz a vida destruída.
Cruz pesada, Tantas cruzes.
Na grande cruz todas se encontram.
O povo levanta o madeiro,
Carregado com fé,
Com revolta,
Com muito sangue.
A peregrinação sem fim,
A Romaria chegou ao mar,
E seu encontro com as águas
Trouxe vida sob a forma de esperança,
Recuperar é preciso,
O paraíso perdido
Se recompõe na fé do povo.
Pois ali jaz