A guerra provocada por Israel e Estados Unidos com o Irã derreteu a diplomacia, jogou no esgoto o direito internacional e implodiu os acordos entre as nações. Hoje, apenas uma autoridade tem moral para gritar ao mundo pedindo o fim da guerra. Esta pessoa é o Papa Leão XIV. Tem e teve capacidade de enfrentar o poder do extrema direita americano. Sim, é extrema direita. Age como nas décadas de 20 e 30 agiam os líderes extremistas, de direita e esquerda.
Diante dessa falência, o grito que ecoa pelo mundo é o cessar fogo como uma obrigação moral. Nada de falar em “danos colaterais”, “alvos estratégicos” ou “operações táticas”. O Papa não entende disso e isso não faz mais diferença alguma. São argumentos que apenas alimentam o conflito. Então a voz que estremece os donos do poder é a acusação de praticar imoralidade no conjunto da humanidade.
Cidades inteiras estão sendo destruídas. Cidades com uma história milenar tornaram-se pó misturado com sangue. Isso é imoral. Debaixo do concreto implodido há famílias inteiras que derramaram o próprio sangue. O que é a vida humana nesse tabuleiro imoral? Os líderes que detém o poder de apertar os botões da guerra perdem completamente a sua bússola moral. Ainda um deles é capaz de se mascarar com a imagem de Jesus Cristo, agredindo a fé de um terço da humanidade, fazendo-se parecer o messias.
A geopolítica tornou-se surda à dor humana. Não dá mais para se brincar em eleições escolhendo esse tipo de liderança de extrema direita. O preço é muito alto. Quando desaparecer o menor sentido moral ainda presente, estaremos com os caixões abertos para recolher nossos corpos. Esses poderosos não têm mais pudor em derramar o sangue de uma civilização inteira. Fará isso sem nenhum escrúpulo.