Edebrande Cavalieri
A escrita é a salvação do espírito, da alma e do corpo.
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O Semeador

Entre tantos caminhos disponíveis

Lá surgirá aquele mais desafiador,

O mais elevado,

Aquele que não me era digno.

Ao entrar naquela sala de aula,

Que parecia um grande palco aberto,

O mundo parecia me envolver por completo.

Em silêncio pequenos jovens,

Com enormes sonhos.

Em cada olhar um enigma.

Eram tantos futuros que nem dava para contar.

Ali estava eu em sua frente,

Fitando em seus olhos

Que pareciam miúdos horizontes.

Os minutos mais longos da vida,

O que dizer para esse mistério que se abre

Em forma de olhar?

Era preciso entender o que diziam.

Não era medo, nem indiferença.

Era um mundo que estava à frente.

O silêncio era ensurdecedor.

Os ouvidos pareciam explodir.

O silêncio gritava cada vez mais alto.

Mais um passo,

Outro olhar,

Mas diante de mim um mundo inebriante.

Olhar e silêncio inebriam em demasia

E a mente não resiste de tanto barulho.

Não era para pedir silêncio,

Pois quem gritava mesmo era ele,

O silêncio que parecia ameaçar a todos.

Numa caixa, um pedaço de giz,

Um quadro a desenhar,

Novos destinos moldados?

Cada traço, um movimento;

Em silêncio o giz percorre o quadro.

Era preciso traçar sonhos.

Era preciso abrir horizontes,

Desenhar a vida que se fez presença,

À disposição de um pobre semeador,

Alguém que ainda ousa ser professor.

Em cada estação, um novo campo,

Uma sala ou um encontro,

Uma palavra quase sempre bastava.

Giz e poeira,

Amor em forma de plantação.

Terra que se dispõe,

Arada ou mesmo batido chão.

Sempre por perto um pequeno córrego,

Que dava para navegar,

Com barcos de papel,

A singrar os oceanos dos sonhos,

A levar cada olhar para o mais alto,

No topo dos montes,

A contemplar horizontes,

A avistar a plantação.

Nunca me arrependi dessa vocação.

Hoje sou grato por tantos encontros,

Poucos desencontros,

A semeadura se fez plantação,

Colheita sem medida.

Comigo também vieram meus pequenos,

Que se alimentaram dessa fantasia,

Em forma de brincadeira,

Abrindo campos e novas terras,

Onde os pingos da chuva se misturam

Às lágrimas da saudade:

- Deixei um campo plantado,

Outros colherão seus frutos.

Saudade dos primeiros olhares,

Que me fizeram crer no amor

E acreditar em sonhos.

A poeira do giz tornou-se nuvem

E o vento leva para outros campos

Para o encontro com outras gerações.

A Deus, uma prece!

Ao mundo, minha gratidão.

Em mim, essa grande vocação.

Edebrande Cavalieri
Enviado por Edebrande Cavalieri em 01/06/2026
Alterado em 02/06/2026
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